
foram responsáveis por 95% da produção industrial de
Santa Catarina, no período de 2017 a 2019, refletindo a
grande concentração das descargas nesse polo pesqueiro
(PETROBRAS, 2020). A sardinha é um dos principais
recursos pesqueiros marinhos do Brasil, sua captura alimenta
a indústria de enlatados, seja como matéria prima (enlatados
de sardinha), ou de forma indireta, quando utilizada na
captura do atum (bonito-listrado) pela frota de vara e isca-
viva (CERGOLE ; DIAS-NETO, 2011). Em Santa Catarina,
a sardinha foi a espécie mais capturada no triênio 2017-2019.
A sardinha-verdadeira e a sardinha-lage, representaram,
respectivamente, 33,5 e 31,6 mil toneladas acumuladas das
descargas da pesca industrial no estado. Em terceiro e
quarto lugar, a corvina e o bonito-listrado representaram,
respectivamente, 29,8 e 21,5 mil toneladas.Juntas, essas
quatro categorias responderam por cerca de 60% das
descargas da pesca industrial (PETROBRAS, 2020).
O clima interfere de muitas formas na atividade de
pesca. Estudos sobre os efeitos do clima nos estoques
pesqueiros brasileiros envolvem dois recursos principais, a
sardinha Sardinella brasiliensis (SUNYE; SERVAIN, 1998,
PAIVA; MOTTA 1999) e a tainha Mugil liza (VIEIRA;
SCALABRINI, 1991). O impacto que uma condição
meteorológica pode gerar depende de sua severidade e na
sensibilidade de uma determinada atividade ou operação a
essa condição. Na pesca, fenômenos meteorológicos podem
tornar a navegação e as as atividades mais difíceis e
perigosas (Wmo, 2018). Informações sobre mudanças na
velocidade e direção do vento ao longo do dia para a área
para qual estão navegando ou operando o vento são muito
importantes para os pescadores. Os ventos podem exercer
uma força considerável sobre as embarcações e petrechos e
podem criar condições de trabalho perigosas. As ondas são
geralmente o segundo elemento mais importante depois do
vento. Ondas de vento têm efeitos significativos no avanço
das embarcações, na rapidez com que os peixes podem ser
encontrados e capturados e na produtividade das operações.
Mudanças rápidas nas condições de ondulação representam
riscos diretos para a integridade estrutural da embarcação,
riscos para a estabilidade e operações de convés devido a
despreparo da tripulação (Wmo, 2018).
No sul do Brasil, predomina o clima subtropical úmido,
onde as massas de ar tropicais marítimas (MTM), úmidas
e instáveis alcançam as costas e movem-se para seu
interior carregando calor e umidade ao longo das frentes
quentes e frias, onde o ar tropical encontra o ar polar. A
precipitação é abundante durante todo o ano, mas atinge
seus maiores valores no verão (MENDONÇA; DANNI-
OLIVEIRA, 2007). Para Ayoade (1996), sistemas produtores
de tempo são sistemas de circulação acompanhados por
padrões e tipos característicos de tempo. Eles causam
variações diárias e semanais no tempo e são muitas vezes
mencionados como sendo perturbações atmosféricas ou
meteorológicas. O autor Machado (2019) definiu as frentes
frias e os ciclones como sistemas meteorológicos causadores
de tempestades e ventos fortes. Segundo o autor, esses
sistemas interferem diretamente nas condições de agitação
do mar.
Segundo Fulsas (2007), a atual previsão do tempo para
a pesca é uma ferramenta muito importante para atividade
e foi o resultado de um longo processo que envolveu
meteorologistas e pescadores. Ainda segundo o autor, a
principal diferença entre o conhecimento do tempo leigo
e o profissional é a diferença na extensão das redes e,
como consequência, a capacidade de manipular escala e
distância. Para Ayoade (1996), o planejamento dos recursos
climáticos envolve o uso racional dos efeitos benéficos do
tempo e do clima e a prevenção, eliminação e minimização
dos efeitos maléficos. Neste estudo, temos o objetivo de
definir as condições de tempo e mar ideais para a operação
de pesca denominada, “janelas de oportunidade”, para cada
frota pesqueira atuante na região sul do Brasil.
Revisão bibliográfica
Onde e quando ir pescar tem sido questionado desde que
as pessoas começaram a pescar. A diferença nas capturas
quando as decisões certas e erradas são feitas pode ser
enorme (HART E REYNOLDS, 2004). Informações sobre
o tempo podem contribuir para a redução de custos das
atividades de pesca. Em 1999 a EPAGRI - Empresa de
Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina -
desenvolveu o Projeto METEOPESCA, que foi implantado
em maio de 2000. O objetivo do projeto era aumentar a
segurança dos pescadores (artesanais e industriais) durante
as operações de pesca, para isso, foram formulados e
boletins de previsão de tempo que foram repassados através
de bases de radiocomunicação costeiras. Após o envio
destas informações em forma de boletim, operadores de
rádio coletavam informações de posição e condições de
tempo com cerca de 15 embarcações situadas entre o Chuí
e Paranaguá. Informações como esta, são valiosas para
melhorar e aprimorar a previsão de tempo clima, em estudos
sobre mudanças climáticas, na compreensão da interação
entre o oceano e a atmosfera, na calibração de imagens de
satélite, entre outros (LIMA; SUNYE; VIEIRA, 2009).
Segundo Coppini (2017) sem informações adequadas
sobre as condições meteorológicas e oceanográficas, os
pescadores possuem capacidade limitada de resposta e
planejamento, o que pode ocasionar na perda de vidas,
desastres ambientais e danos para a economia, sociedade
e ecossistemas. Pescadores entrevistados pelo projeto
METEOPESCA, relataram que a previsão implica numa
redução de custos entre 10 - 30% por viagem. Ainda segundo
a coleta de informações do projeto, a organização das
viagens em função da previsão do tempo permite que os
pescadores tomem decisões mais assertivas quanto ao local
de captura, tempo de navegação, tipo de arte de pesca e
espécie alvo (LIMA; SUNYE; VIEIRA, 2009) destacando
a importância da previsão do tempo na tomada de decisão
desses profissionais. A Epagri/Ciram ainda disponibiliza
para a região sul (Chuí a Paranaguá), diariamente, a previsão
para a navegação e pesca para 5 dias (EPAGRI/CIRAM,
2021). Também encontra-se disponível o "Boletim ao
Mar", o novo aplicativo desenvolvido em parceria entre a
Marinha do Brasil e o Instituto Rumo ao Mar - RUMAR
(MARINHA DO BRASIL, c2021). Com relação aos
boletins de tempo disponibilizados pelo METEOPESCA,
os dados de superfície eram provenientes da rede de
estações costeiras do estado de Santa Catarina e do Rio
Grande do Sul ( ; LIMA; SUNYE; VIEIRA, 2009) (Sunye,
Vieira, Pacheco, & Kinceler, 2007), disponibilizando níveis