Anjos 35
de pacientes da COVID-19 no estado grave eleva a possibilidade do óbito, e consequentemente, a taxa de
letalidade.
Examinando a Figura 2‡, visualiza-se que Manaus possui a maior taxa de letalidade, em cerca de
4,48%. Nessa circunstância, os estabelecimentos de alta complexidade localizados no município de
Manaus atenderam uma população de mais de 2.182.763, além de receber pacientes do interior devido a
carência de infraestrutura, principalmente de respiradores/ventiladores, resultando no estrangulamento
dos serviços de saúde da cidade de Manaus, elevando a taxa de letalidade por COVID-19.
Além da capital, os municípios de Tabatinga (Regional Alto Solimões), Manacapuru (Regional
Manaus, Entorno e Alto Rio Negro), Santo Antônio do Iça (Regional Alto Solimões), Manaquiri
(Regional Manaus, Entorno e Alto Rio Negro), Itacoatiara (Regional Médio Amazonas) e Borba
(Regional Rio Madeira), divulgaram altas taxas de letalidade, em cerca de 4,23%, 3,83%, 3,52%, 3,48%,
3,20% e 3,06%, respetivamente.
Destaca-se que os municípios de Tabatinga, Tefé, Manacapuru, Parintins (Calha do Rio Solimões) e
Itacoatiara (Calha do Rio do Médio Amazonas) abrangem a média complexidade do sistema de saúde, ou
seja, além de estarem localizadas no leito do rio principal, oferecem serviços de saúde mais próximos para
população dos demais municípios que abrangem a baixa complexidade de estrutura de saúde, justificando
as altas de taxas de letalidade pela COVID-19.
A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2020) estima que a taxa de letalidade da COVID-19 seja
inferior a 0,6%, ou seja, muito inferior à taxa apresentada pelos municípios do Amazonas. Destaca-se
que os municípios que apresentaram taxa de letalidade abaixo de 0,6%, possuem apenas os serviços de
baixa complexidade, a destacar: Anamã (0,11%) e Atalaia do Norte (0,28%), localizados na Regional Rio
Negro e Solimões; Japurá (0,20%), estabelecido na Regional do Triângulo; Envira (0,21%), Eirunepé
(0,42%) e Ipixuna (0,49%), ambos localizados na Regional Juruá; Pauini (0,28%) e Tapauá (0,55%)
estabelecidos na Regional do Purus, ambos localizados distantes da capital e nas extremidades do estado.
Esse dado sugere diferentes interpretações: a primeira está relacionada com a possibilidade de um
baixo fluxo de pessoas em busca de atendimento para a COVID-19 nos referidos municípios, haja vista
que estes são distantes e de difícil acesso; a segunda perspectiva está associada com a subnotificação de
dados e, consequentemente, a elevação dos casos de mortes mal definidas§; e a terceira compreensão se
refere à efetividade das ações de vigilância em saúde nos portos dos municípios.
No que concerne à primeira interpretação, é interessante frisar que as redes de acesso geográfico à
saúde ocorrem sobre um ambiente hermético, que abrange a maior bacia hidrográfica do planeta e
proeminente biodiversidade, cuja complexidade está relacionada com a localização da Floresta
Amazônica, situada nas proximidades da Linha do Equador, onde recebe alta incidência de radiação solar
durante o ano, influenciado em uma baixa amplitude térmica, características do clima equatorial (Fisch
et al., 1998). Portanto, de acordo com as características físicas do estado do Amazonas, associando com a
grande extensão dos municípios, cria-se uma geografia única, com especificidades do acesso fluvial
(Oliveira & Shor, 2013).
‡
3 Municípios que não atualizaram as informações dos casos de COVID-19: Carauari, Barcelos, Iranduba, Eirunepé, Benjamin
Constant, Santo Antônio do Iça, Alvarães, Tapauá, Beruri, Uarini, Novo Aripuanã, Borba, Tonantins, Juruá, Careiro da Várzea e
Apuí.
§
4 Os dados do DATASUS estão desatualizados, não sendo possível a comparação dos dados supracitados.