
Guimarães and Guimarães
da pesquisa já nasceu com cegueira congênita na cidade de São Paulo - SP e se mudou para a cidade de
Santo Anastácio-SP ainda muito pequeno residindo ainda hoje neste local, contudo, possui uma relação
íntima com Presidente Prudente -SP pelos diversos cursos que realiza, incluindo uma graduação, possui
36 anos, nasceu com ausência de visão.
Estes sujeitos foram protagonistas da pesquisa realizada na cidade de Presidente Prudente –SP, a
aplicação metodológica foi pensada para cada sujeito almejando estimular as capacidades desenvolvidas
por cada um dos integrantes da pesquisa. Assim as análises e os procedimentos metodológicos serão
abordados conjuntamente às análises.
Audição e a linguagem
Embora algumas pessoas achem monótono ouvir uma pessoa mais velha falando da sua vida, outras
pessoas se incomodam em ouvir fofocas! A audição é um elemento essencial em nossas vidas, eu por
exemplo, adoro ouvir música, mas poucas vezes fico prestando atenção nos diferentes instrumentos que
compõem a música e suas diferentes vibrações.
O fato é que ouvir pode nos trazer diversos elementos para entender as relações sociais e espaciais,
suas subjetividades e uma construção mental dos ambientes. Para entender todo esse processo, dialogo
neste tópico com Murray Schafer em seu livro “O ouvido pensante”, escrito em 1999, o qual nos traz
muitos pontos relevantes e nos coloca a pensar sobre tudo o que ouvimos, particularmente os elementos
simples, presentes no nosso cotidiano.
É mais interessante ainda que o livro todo está baseado em aula para o primeiro ano de graduação e
apresenta os diálogos dessa interação professor – aluno, facilitando no processo de raciocínio.
Segundo o autor, devemos saber distinguir alguns elementos quando falamos sobre ato de ouvir, sendo
eles: som, silêncio, ruído, timbre, melodia, amplitude e ritmo. O mais comumente falado por nós é a
palavra som, que significa “cortar o silêncio através de uma vibração (SCHAFER, 1999 p.59) ”, ou então
pode ser entendido como “uma linha que se movimenta de modo regular (SCHAFER, 1999 p.59) ”. A
ausência de som é chamada, portanto, de silêncio, e o ruído é o som indesejável que pode variar de acordo
com os sujeitos ou cultura que está inserido (SCHAFER, 1999)
O timbre, por sua vez, é um som que distingue um instrumento de outro, em uma frequência e
amplitude. Segundo o autor, o timbre pode ser entendido como a cor do som. A amplitude é a força que
vai do mais fraco ao mais forte, do mais grave ao mais agudo. A melodia pode ser qualquer combinação
de som, é como o ato de palavras cada letra tem seu som, juntas formam a melodia das palavras. Por fim,
o ritmo divide o todo em partes podendo elas ser regulares, irregulares, longas ou breves, um exemplo de
marcação de ritmo em nosso cotidiano é o tic-tac do relógio (SCHAFER, 1999).
Todas essas variantes estão presentes de uma forma ou outra em nossas vidas. É evidente que ao
perder algum sentido do corpo, nosso cérebro tenta suprir a falta encontrando novas formas de perceber
e compreender a realidade. Alguns sujeitos cegos desenvolvem a capacidade distinguir com maior
facilidade os sons que estão presentes por não terem a visão. Enfim, enxergar é uma ação socialmente
construída pelos seres humanos, e a visão é utilizada, principalmente, como meio de verificação.
Os videntes, quando ouvem algum barulho estranho ou não, rapidamente param para olhar o que está
acontecendo. Para quem é cego o som, o tato, olfato e paladar devem oferecer elementos sólidos que
ajudam neste processo de verificação da realidade, principalmente quando não é possível utilizar os
outros sentidos do corpo.