
Estrabão (3) 2022
interpretação desses dados pode levar a diagnósticos capazes de direcionar uma maior diversidade de
soluções.
Segundo a ABNT (2004, p. 3) um equipamento urbano é definido como um bem público ou
privado, de utilidade pública, destinado à prestação de serviços necessários ao funcionamento da cidade,
implantados mediante autorização do poder público, em espaços públicos e privados, o que faz das UBS’s
equipamentos urbanos que devem oferecer acessibilidade a toda e qualquer pessoa, independe de suas
dificuldades. Dessa forma, uma distribuição socialmente justa de Unidades Básicas de Saúde deve ser
baseada na distribuição da população sob maior vulnerabilidade social, especialmente, dos seus extremos
etários, faixas de menor renda, cores, escolaridades e comorbidades crônicas.
Para Pina e Santos (2000), a análise espacial tem sido de grande ajuda para a área da saúde,
permitindo a integração dos dados populacionais, ambientais, socioeconômicos e promovendo o inter-
relacionamento das informações dispostas por vários bancos de dados. Dessa forma, assume
o Geoprocessamento um grande recurso para a manipulação e representação de dados, especialmente,
os da Saúde Coletiva, por permitir o mapeamento de doenças, patologias e anomalias, além da avaliação
da distribuição de riscos e serviços prestados pelo SUS, servindo, também, ao planejamento de ações.
Afirmativas, também, reiteradas por Carvalho e Santos (2005) sobre a notória importância dos estudos
de Análise Espacial para os serviços de saúde, tamanho o número de métodos e aplicações.
No entanto, apesar das diversas falhas apresentadas pelo SUS, derivadas da falta de investimento
público, da mão de obra mal qualificada, da corrupção e até da falta de informação dos seus usuários,
tal sistema é elogiado mundialmente pelos principais órgãos internacionais de saúde (LOPES, 2011).
Tendo em vista sua complexidade estrutural, arraigada ao princípio da equidade, visando atender e
cuidar de todas as pessoas que necessitam de tratamentos clínicos, onde cabe destacar que tal conjuntura
social não ocorre em outro país do mundo, pois o atendimento coletivo ocorre gratuitamente, tornando-o
programa de referência mundial se tratando de assistencialismo à saúde coletiva através de uma entidade
governamental.
Observa-se, de um lado, uma vasta legislação, que universaliza os serviços e exige garantias de acesso,
apesar da existência de impedimentos de toda ordem, e de outro, um poder executivo municipal omisso
e negligente com tal promoção. Uma pesquisa realizada, em 2003, sobre a desigualdade no acesso aos
serviços de saúde no Brasil observou que a região Norte tinha 45% menor chance de acesso à saúde
básica se comparada com as regiões Sul e Sudeste. Para os pesquisadores, o acesso ao serviço de saúde
é fortemente influenciado pelas condições sociais das pessoas e pelo local no qual residem, afirmando,
ainda, que o acesso pode ser influenciado pela renda e pela escolaridade (TRAVASSOS; OLIVEIRA;
VIACAVA, 2006).
Segundo Giovanella (2015), acesso é a conexão que mede a relação entre procura e serviço, e diz
respeito às características da oferta de serviços de assistência, que facilitam ou dificultam a sua utilização
pela população. Para Donabedian (2003), acesso e acessibilidade a ações de serviço de saúde têm
o mesmo significado, referindo-se à capacidade de produção, de atendimento e oferta dos serviços de
saúde para a população.
Para esse autor o acesso possui duas dimensões: geográfica e sócio-organizacional; a distância e
o tempo de locomoção dos usuários até o serviço de saúde representam a dimensão geográfica, enquanto
as características da oferta representam a dimensão sócio-organizacional. O autor afirma, ainda, que não
basta existir o serviço de saúde, é necessário garantir o seu uso tanto no início quanto na continuidade do
cuidado.